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NOVA PROPOSTA PARA TRATAMENTO DA OBESIDADE MÓRBIDA

DERIVAÇÃO BILIOPANCREÁTICA COM PRESERVAÇÃO GÁSTRICA VIDEOLAPAROSCÓPICA:

Dr. André Luís Leite Garcia

  • Membro titular da Sociedade Brasileira de Videocirurgia (SOBRACIL);
  • Membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD);
  • Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica (SBCB);
  • Pós-graduado de Doutorado da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM);
  • Cirurgião responsável pelo Grupo de Tratamento de Obesidade do HCO.

O tratamento cirúrgico da obesidade grave vem passando por várias modificações técnicas desde o início dos procedimentos cirúrgicos em 1954. O perfil dessa doença também mudou nos países desenvolvidos do mundo ocidental nas últimas duas décadas. Atualmente, as principais opções de tratamento são a Banda Gástrica Inflável (BGI), Gastroplastias Verticais com Derivação Jejunal (GVGJ), mais conhecidas como "Bypass" Gástrico em Y de Roux (RYBG) com e sem anel e as Derivações Biliopancreáticas (DBP). Tais procedimentos apresentam redução do sobrepeso variável em acompanhamento tardio, pequena na banda gástrica inflável e máxima na derivação biliopancreática. A DBP é indicação preferencial nos pacientes super-obesos (índice de massa corporal -imc- maior que 50 kg/m2 ) e também nos grandes obesos (imc maior 45 kg/m2 ), onde as cirurgias restritivas ou com mínimo componente de desabsorção como as gastroplastias verticais com Bypass em Y de Roux (Fobi-Capella), falham em manter a perda significativa e sustentada de sobrepeso a longo prazo.

A proposta de tratamento operatório por nós utilizada por via laparoscópica (e também por via convencional) consiste da cirurgia clássica de derivação biliopancreática proposta por Nicola Scopinaro em 1979, e modificada por Domene em 2001. Trata-se de secção do estômago com sua redução para um reservatório de aproximadamente 300 ml associada a uma anastomose intestinal com o jejuno, de modo a estabelecer dois canais alimentares: uma alça alimentar longa e uma alça biliar menor com sutura dessa na alça alimentar a 50 cm do término do intestino delgado. Adicionalmente, realizamos colecistectomia (retirada da vesícula biliar) em todos os pacientes devido a alta incidência de litíase vesicular (pedra na vesícula) após a cirurgia, que pode aproximar-se de 20% em dois anos, aumentando assim a morbidade.

Em nossa casuística de mais de 120 pacientes operados pelo método de 2002 a 2005. O IMC variou de 36.7 a 60 Kg/m2 e a idade variou de 21 a 55 anos. Não houve complicações intra-operatória, nem mortalidade.

Os pacientes foram estimulados a saírem do leito precocemente, receberam dieta no primeiro dia de pós-operatório e alta hospitalar no primeiro ou segundo dia, conforme aceitação de dieta. No seguimento tardio os paciente foram orientados à ingesta de complemento vitamínico e inibidores de secreção gástrica diariamente, além de eventuais suplementações necessárias durante as avaliações pós-operatórias no consultório.

Houve melhora significativa de todas as comorbidades apresentadas no pré-operatório, incluindo hipertensão arterial, diabetes tipo II, hiperlipemia, apnéia do sono e problemas articulares.

A perda do excesso de peso foi mantida no período pós-operatório com estabilizações do IMC em torno de 30 Kg/m2.

Salienta-se que a cirurgia de Fobi-Capella (bolsa gástrica) na abordagem convencional apresenta dificuldade importante de confecção da bolsa em super obesos aumentando a morbidade e reduzindo a eficiência do procedimento. O sucesso imediato nos obesos graves é inferior a 60% comparado aos super obesos. Após cinco anos de pós-operatório começa a existir recuperação de peso perdido. Sem contar que nessa cirurgia 30% dos operados apresentam vômitos diários, a quase totalidade dos pacientes ingerem quantidade de alimentos muito pequena por vez, aumentando a utilização pelo doente de alimentos ricos em cremes e purês altamente calóricos propiciando o retorno da obesidade. Apenas 30% dos pacientes operados pela técnica de Fobi-Capella conseguirão ingerir sólidos como carne ou pães, pelo resto de suas vidas. Dessa forma o problema de grande restrição alimentar proporcionado por essa cirurgia pode determinar problemas mais graves que a própria obesidade como alcoolismo, drogadição e problemas psicológicos graves como retorno de compulsão alimentar.

Assim, a técnica de derivação Biliopancreática de Scopinaro modificada é cada vez mais utilizada a perda e manutenção continua do peso e por permitir dieta livre, já que a perda de peso não depende da quantidade ou qualidade ingerida, mas da capacidade limitada de absorver amido e gordura restrita a 1600 cal/dia.

Conclui-se, desta maneira, que esse procedimento por nós adotado é seguro, tem morbidade muito baixa, é viável nos super obesos em falha de procedimentos restritivos, leva a cura das comorbidades, tem poucas complicações nutricionais, determina perda de peso persistente, permite dieta geral e trata-se de procedimentos sem dano psicológico adicional, já que não causa restrição alimentar.


Dr. André Luís Leite Garcia
CRM - 22207









 
   
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